O País Basco é um caso curioso no contexto espanhol. À semelhança do que se passa com o Atletic de Bilbau no futebol, também no ciclismo a equipe só recruta atletas com ligações à Comunidade, na tentativa de perpetuar um sentimento de orgulho local raramente visto no desporto moderno.
Por uma questão de competitividade a nível mundial, a ideologia de apoio ao talento local tem vindo a ser flexibilizada com o passar dos anos – hoje em dia já não é obrigatório ter nascido no País Basco – e na Euskaltel pode mesmo acabar. O problema é a falta de dinheiro.
Numa entrevista concedida ao diário Marca, o diretor-geral da equipe, Miguel Madariaga, explicou que “temos vindo a funcionar com o mesmo orçamento dos últimos cinco anos. Depois de fazer a equipe sofri cortes, o principal do Governo Basco. Agora temos que procurar outro patrocinador que compense esses cortes. Não creio que tenhamos problemas para 2012, mas para o futuro temos que encontrar algo”.
ORÇAMENTO MAIS BAIXO DO QUE ALGUMAS EQUIPES CONTINENTAIS
Com 7 milhões de euros para esta temporada, a Euskaltel-Euskadi vai procurar manter o estatuto de equipe histórica do pelotão, mesmo que para isso disponha de uma quantia “menor do que algumas equipes continentais”, quando na realidade precisa de 9 milhões.
Miguel Madariaga avisa que esta situação pode levar ao fim de uma ideologia admirada por muitos e contratar estrangeiros: “Pode ser, mas tudo depende dos patrocinadores que encontremos. Parece que fora gostam mais de nós do que no País Basco. Primeiro iremos tentar encontrar um sponsor, se ele nos permitir manter esta filosofia ótimo, senão há que pensar. O desaparecimento não o contemplo”.
Em 2011 os resultados não sofreram com o parco orçamento. A Euskaltel venceu uma etapa no Tour, outra no Giro e rematou com mais uma na Vuelta. De acordo com Madariaga o “ano foi sensacional, difícil de repetir. Temos que ter paciência com a nova direção”, explica na sequência do pedido de demissão de Igor Gonzalez de Galdeano que foi substituído por Gorka Gerrikagoitia, antigo ciclista da equipe e que já estava na estrutura como um dos diretores-desportivos.
Imagem do País Basco, transportadora da febre laranja pelas grandes provas de ciclismo do calendário internacional, a Euskaltel vai sobrevivendo à crise e impondo os seus valores, resta saber até quando vai resistir à globalização.














0 Response to "Filosofia pró-basca da Euskaltel em risco"
Postar um comentário